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sexta-feira, outubro 26, 2007

Reflexões em volta de uma experiencia na Comunidade Ning (IV)

Os AVA para além do e-learning

Creio que entre nós não subsistem mais dúvidas sobre a importância dos AVA num contexto e-learning. Se não queremos fazer dos nossos AVA um simples repositório de conteúdos, devemos explorar todas as potencialidades que nos são oferecidas pela web 2.0 para tornar o ensino/aprendizagem mais participativo, mais reflexivo, mais construtivo, mais próximo do ambiente físico e consequentemente mais próximo das novas exigências da sociedade actual. Se no e-learning poucas hipóteses temos senão esta de concretizar esse objectivo, o grande desafio coloca-se em fazer valer os instrumentos virtuais num contexto de ensino/aprendizagem em sala de aula. A solução não está unicamente na disponibilização de meios que as instituições de ensino/formação colocam ao serviço da aprendizagem, afinal os meios até podem existir, mas por vezes não sabemos como adaptá-los às nossas necessidades. É necessária, na minha opinião, uma boa dose de iniciativa mas também de criatividade pela parte do professor e a partir daí, bem temos verificado que pouco é impossível de ser representado virtualmente com as possibilidades tecnológicas que temos actualmente. Mais ainda, a web 2.0 derrubou todas as fronteiras e diluiu todas as distâncias o que significa que temos um mundo inteiro para aprender e com o qual aprender; por exemplo, na aprendizagem de línguas, os “pen friends” podem ser substituídos por “digital friends” espalhados um pouco por todo o mundo, possibilitando uma aprendizagem que para além de ser contextualizada ainda permite e fomenta a partilha e as comunidades de prática. As ferramentas que fomentam a partilha de conteúdos (texto, fotos, áudio, vídeo...), a possibilidade de manipulação colectiva de objectos em 3D e os mundos virtuais deixam pouca margem para dúvidas: quase tudo pode ser experienciado e praticado mesmo dentro da sala de aula permitindo a aquisição de saberes com aplicação visível e desenvolvendo competências aplicáveis ao que o mercado de emprego espera dos futuros profissionais.

Reflexões em volta de uma experiencia na Comunidade Ning (III)

Blogue, Fórum de Discussão

Uma das características mais interessantes do Ning é a “partilha forçada do blogue” entre os elementos que constituem a comunidade. Esta característica pode ser muito enriquecedora em termos de aprendizagem, em primeiro lugar porque nos força a seleccionar o conteúdo do blogue e a reinscrevê-lo naqueles que são os interesses e objectivos da comunidade, em segundo lugar porque mais uma vez se constrói o sentido de comunidade e de pertença – o que escrevo “no meu” blogue pertence a todos e todos os outros blogues, são, em parte, o meu .

O Fórum de discussão foi talvez o contexto onde a experiência colaborativa, apesar de não ter sido negativa, poderia ter sido melhor. Pese embora o facto de algumas intervenções dos colegas terem suscitado algum tipo de discussão e partilha de opinião/ideias, poderíamos ter sido mais interventivos, mais reflexivos, mais “questionadores”. Talvez a causa para alguma “unidireccionalidade” das intervenções, resida no facto das questões colocadas serem demasiado directas, o que nos levou a responder directamente. Na minha opinião e face às experiências que tenho vivido em fóruns desta natureza na nossa plataforma moodle, parece-me que a forma como nos é pedida a tarefa condiciona em muito (senão totalmente) a qualidade das respostas e a interactividade das actividades/tarefas. É como se de alguma forma, o tipo de estímulo “forçasse” o tipo e a qualidade da resposta. Por outro lado, nós como alunos também temos responsabilidade – talvez, em alguns casos, tenhamos perdido a oportunidade de a partir de algumas intervenções colocar novas questões que estimulassem o fórum. Na verdade, temos de admitir, como alunos preocupamo-nos em primeiro lugar em cumprir as tarefas no timming que nos é pedido pelo tutor e depois de fazê-lo direccionamos para segundo plano um trabalho extra que nos exige a análise atenta de todas as contribuições que eventualmente poderão levantar outras discussões que permitissem o tal processo de negociação e apropriação da aprendizagem. A sensação que tenho é que também eu deixei passar algumas oportunidades…

Reflexões em volta de uma experiencia na Comunidade Ning (II)

Comunidade de Aprendizagem

É verdade que já falámos e discutimos muito, em diversas disciplinas sobre o conceito de comunidade de aprendizagem, mas a experiência Ning permitiu-nos de alguma forma, colocar à prova nossa própria comunidade. Refiro-me às características mais humanas de cada um de nós (para além do nosso papel de estudantes) e que passam por coisas simples como conhecer os gostos pessoais de cada um, nas mais diversas áreas. Foi curioso observar como se geraram diálogos e comentários a propósito de um filme, de uma música, de um livro ou de uma fotografia e a partir daí se partilharam histórias de vida pessoais. Poderia até dizer-se que para o objectivo de aprendizagem em questão este tipo de comentários seria completamente dispensável, mas a minha perspectiva do que aconteceu é um pouco diferente: a propósito desses diálogos aparentemente parasitas conhecemo-nos melhor, mas para além disso e numa primeira fase de euforia no nosso Ning, partimos para a partilha de objectos que se prendiam com os nossos gostos pessoais, fossem fotos, músicas ou filmes. Sem darmos conta, espontaneamente, já estávamos a explorar outras ferramentas web 2.0 e essa partilha que se fez um pouco por entre todas as pessoas do grupo/turma, é na minha opinião uma das actividades que melhor define a oportunidade de partilha, sem que se espere nada em troca, sendo este um dos traços característicos do que nos é potenciado pela Web 2.0. Este fenómeno poderá ter contribuído para a construção de uma comunidade mais unida e mais forte [1]. Talvez por isso, eu acredite que a integração num contexto idêntico ao Ning possa ser uma boa estratégia a utilizar ao início de um curso em e-learning, uma vez que favorece boas condições para a construção de uma comunidade de aprendizagem.

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[1] A aprendizagem é encarada como uma aventura colectiva em que cada elemento contribui com uma peça para a construção de um grande puzzle. Há portanto um elevado grau de interdependência entre os elementos que constituem uma comunidade: ninguém aprende sozinho o que aprenderá em grupo e a aprendizagem do grupo não se constrói sem a partilha de cada um individualmente. Como cada elemento pertencerá a outras comunidades que se prendem com os seus interesses pessoais, profissionais e sociais a transferência de saberes passa, em última análise, de umas comunidades a outras, permitindo a construção de uma rede para além da que se estabelece entre os membros de uma única comunidade.

Reflexões em volta de uma experiencia na Comunidade Ning (I)

E quem disse que as comunidades online servem só de entretenimento e namoros virtuais? Eu própria há dois anos atrás. A minha perspectiva hoje é totalmente diferente. As oportunidades de ensino-aprendizagem das ferramentas web 2.0 são imensas. Segue a minha reflexão sobre uma experiência vivida em turma, numa comunidade criada no Ning (Contexto Web 2.0) que para já não está disponível ao público em geral, pois está a ser objecto de investigação para uma dissertação de mestrado.

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Aprendizagem Situada/Contextualizada

Imagine-se que o que seria aprender o ofício de mecânico no banco da escola, sem que o aprendiz tivesse oportunidade de explorar um carro em todas as suas componentes, sem nunca manipular cada uma das suas peças e sem ter a oportunidade de montar e desmontar um motor utilizando as ferramentas adequadas [1]. Esta situação seria idêntica à formação de tutores/professores online, numa sala de aula presencial, ainda que perante um computador com ligação à Internet mas sem nunca recorrer à experiência de viver e sentir a distância física (e as limitações que daí advêm) a mesma que os futuros tutores/professores e os seus alunos viverão no futuro em contexto de e-learning. Na mesma linha de raciocínio, imagine-se ainda que na disciplina de Ambientes Virtuais de Aprendizagem aprenderíamos os conceitos de “ambiente virtual de aprendizagem”, “comunidade de aprendizagem”, “web 2.0”, sem que explorássemos as ferramentas que nos permitem criar um contexto de aprendizagem com base (ou com fim) numa comunidade de aprendizagem. Ser-nos-iam entregues documentos para ler sobre a web 2.0 e as suas aplicações no ensino/aprendizagem. Mas no fim, o que teríamos aprendido? Saberíamos imenso sobre as ferramentas da web2.0 e as suas potencialidades, mas saberíamos aplicar esses conhecimentos? [2]

A aprendizagem em contexto ou situada foi talvez uma das grandes mais valias da nossa última actividade em AVA:

- Com base no Ning construímos um contexto de aprendizagem para utilizar e experimentar uma ferramenta da Web 2.0;

- A propósito do Ning fomos procurar e explorar outras ferramentas da Web 2.0;

- A pesquisa e exploração de outras ferramentas conduziu-nos na reflexão sobre a utilização que estas poderiam ter num contexto de aprendizagem (virtual-real) e na nossa actividade e contexto profissional. Desta pesquisa e reflexão surgiram ideias de colegas que são muito interessantes e que provavelmente vão ser colocadas em prática por muitos de nós com os seus alunos/formandos.

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Notas:

[1] Até ao advento da Escola de Massas, o modelo de aprendizagem dominante foi o Contextualista à semelhança do que teorizou Vygostky no início do século XX. Aprendizes e Especialistas, convergiam na criação de uma determinada aprendizagem em constante interacção com o contexto e por isso eminentemente prática. A chegada da Revolução Industrial no século XIX trouxe às sociedades desenvolvidas necessidades cada vez mais imediatas na formação dos seus recursos humanos, pelo que se tornou necessário formar cada vez mais trabalhadores num curto espaço de tempo. A aprendizagem situada perdeu-se nos meandros do necessário imediatismo e as escolas abraçaram o mesmo modelo industrial. Para formar mais e rapidamente substituiu-se o contexto profissional pela sala de aula e os especialistas por manuais, resultando daqui uma aprendizagem na maioria dos casos descontextualizada e desenquadrada da realidade e verdadeiras necessidades do mercado de trabalho.

[2] A aprendizagem só é significativa se for resultado da prática. Da experiência prática e perante novos problemas podem resultar adaptações criativas a novos contextos dando origem a novas práticas.

Web 2.0 o que é?







A web 2.0 permite uma produção colaborativa e uma partilha de produtos/conteúdos à escala mundial. Alguns autores já apontam como principal característica da Web 2.0 a Inteligência Colectiva o que considero ser um termo bastante curioso e elucidativo das potencialidades daquilo que podemos interpretar como a "web do povo". Esta partilha pode aplicar-se a todas as áreas da dimensão humana, desde os encontros sociais, ao entretenimento, passando pela participação cívica e política e claro está, o que mais nos interessa, a educação.

sábado, junho 30, 2007

A mesa interactiva - Digital Surface

Descobri este vídeo na comunidade Ning que criámos a AVA. Até fiquei arrepiada com com este projecto da Microsoft :/ Imaginem uma mesa de cozinha assim! Incrível!!