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sábado, setembro 22, 2007

A Tradição ainda é o que era?

Computadores portáteis, quadros interactivos, internet, moodle nas escolas, choque tecnológico e velhos métodos!!




sábado, maio 12, 2007

As TIC como Mediadoras dos Processos de Ensino-Aprendizagem (Behaviorismo)

There is no reason why the schoolroom should be any less mechanized than, for example, the kitchen.
(Skinner, 1968)


Skinner (Cit. in Johansson & Gärdenfors; 2005) afirmou um dia que não havia razão para que uma sala de aula fosse menos mecanizada do que uma cozinha. Quarenta anos depois desta afirmação tendemos a dar-lhe mais razão, mas de que forma a teoria de aprendizagem protagonizada por Pavlov e Skinner poderá orientar-nos nesta nossa reflexão sobre o uso das tecnologias como mediadoras dos processos de aprendizagem?

Se, por um lado, podemos considerar que as leis de causa-efeito de Skinner poderão estar desadequadas do panorama educacional actual, a verdade é que os princípios das teorias comportamentalistas continuam presentes em muito do software educacional actualmente no mercado.

(...)

A liberdade, autonomia, individualidade e criatividade dos alunos são colocadas para segundo plano, senão mesmo totalmente ignoradas e a aprendizagem colaborativa e partilhada não tem espaço neste contexto.

(...)

Uma das vantagens do ensino programado (e mecanizado) apontadas por Skinner diz respeito ao facto de uma máquina nunca se aborrecer e nunca ficar impaciente apesar do número de vezes que o estudante possa falhar. A prática demonstra que de facto isso é verdade, mas o estudante, esse, pode aborrecer-se rapidamente face à repetitividade e lenta progressão para estádios superiores das tarefas. Um exemplo deste tipo de ensino programado pode ser encontrado em variadíssimo software aplicado à aprendizagem de línguas estrangeiras.

As TIC como Mediadoras dos Processos de Ensino-Aprendizagem (Cognitivismo)

Os seres humanos são processadores biológicos de informação. A informação é realidade duplamente codificada.
(Capurro, 1991)

A revolução Cognitivista da segunda metade do século XX surgiu como reacção à instrumentalidade behaviorista e ao facto desta corrente ignorar o funcionamento dos mecanismos internos da mente durante o processo de aprendizagem; daí surgem os testes psicométricos e as medições de Q.I.

Há ainda na perspectiva cognitivista uma postura activa do sujeito que aprende, na medida em que este constrói activamente as suas formas de saber (Lourenço, 2005). Assim, segundo esta corrente, da qual as Teorias do Processamento da Informação (TPI) são as mais representativas, o cérebro humano pode ser encarado como um complexo “aparelho” de processamento de informação.

(...)

Esta corrente teórica e as investigações que a acompanharam sobre o trabalho da memória na apreensão de informação, influenciaram bastante as teorias de aprendizagem. Por exemplo, as investigações concluíram que a aprendizagem era melhorada se os conteúdos (inputs) fossem apresentados de forma a não sobrecarregar a memória de curto prazo, complementando com tarefas secundárias, introduzindo um pequeno número de variáveis de cada vez e evitando usar representações incoerentes entre si (Johansson & Gärdenfors; 2005). O que se pretende é que os sujeitos tenham tempo suficiente para “alojar” as aprendizagens em “local seguro” (MLP) de forma a ser-lhes mais fácil, perante um novo input, estabelecer relações entre novo o “material” e o conhecimento já “armazenado”.

Nas escolas, as componentes de aprendizagem tais como o ensaio, a narração e a recitação são associadas às teorias do processamento de informação.

(...)

Os interfaces de multimédia interactiva representam hoje uma boa ferramenta de aprendizagem que pode ser aplicada no contexto da corrente que discutimos presentemente, já que nos possibilita, de forma faseada, a apresentação de representações múltiplas em vários formatos (combinando gráficos, animações, textos, imagens, aúdio e vídeo) e possibilitam que os alunos interajam, seleccionem, manipulem e combinem estas representações (Scaife e Rogers, 2005).

As TIC como Mediadoras dos Processos de Ensino-Aprendizagem (Abordagem Sócio-Cultural e Cognição Situada)

If we take learning to be a process of enculturation, it is possible to clarify this distinction and to explain why much school work is inauthentic and thus not fully productive of useful learning.
(Brown, Collins e Duguild, 1989)

(...)

A presente perspectiva sugere que o sujeito que aprende é parte de um grupo social e cultural e que lhe deve ser permitido questionar, descobrir e compreender o mundo a partir das interacções com os demais elementos do seu contexto. Desta forma, o papel do professor é o de favorecer a convivência social, estimulando a troca de informações e a construção de um conhecimento colectivo e partilhado.

(...)

A motivação para este procedimento é que trabalhando na resolução de problemas um pouco mais acima das suas capacidades presentes aumenta a velocidade do desenvolvimento dos estudantes (Johansson & Gärdenfors; 2005).

Admitindo o papel fundamental na aprendizagem do mundo externo ao sujeito está igualmente a corrente que defende a Cognição Situada (Brown, Collins & Duguild, 1989), que ao contrário das correntes cognitivistas não se centra nos conteúdos do que é apreendido, mas nas práticas envolvidas.

É na base da dicotomia Saber/Fazer que Brown, Collins e Duguild apontam as fragilidades da escola; a escola que instrui, mas que não forma, a mesma escola que se limita a transferir conteúdos descontextualizados dos conceitos formais. A prática em contexto real ou simulada, facilita por seu turno, o contacto com as ferramentas (conceitos) que segundo os autores só podem ser inteiramente compreendidas através do seu uso, e usá-las envolve a mudança de visão do utilizador acerca do mundo. A aprendizagem implica então um processo de transformação que se desenvolve ao longo da vida, resultante das nossas acções sobre o meio/contexto.

Considerando o papel fundamental dos outros indivíduos e do contexto na aprendizagem de cada sujeito, importa referir que as teorias sócio-culturais apontam para a criação de Comunidades de Aprendizagem. (...)

(...)

A Internet, o hipertexto e sobretudo as ferramentas de comunicação e produção designadas por web2.0 (blogs, wikis, plataformas de e-learning, fóruns de discussão, canais de conversação síncrona, etc) potenciam autênticos Ambiente Virtuais de Aprendizagem (AVE), onde estudantes e professores podem interagir em domínios específicos.

As simulações por computador, a inteligência artificial, os mundos virtuais e os avatares são campos férteis para a prática educativa que poderão ser aplicados a qualquer campo do conhecimento das ciências humanas às ciências exactas. O professor é nesta perspectiva encarado como um parceiro do processo de ensino-aprendizagem, um coordenador do processo, em vez de ser o centro do conhecimento e da informação que se encontra nos contextos reais, virtuais ou simulados.

As TIC como Mediadoras dos Processos de Ensino-Aprendizagem (Teorias Construtivistas)

"Não é suficiente que o aluno saiba que errou, é preciso também ter elementos para avaliar a qualidade do erro".
Jean Piaget

Embora não possamos falar de uma Teoria Construtivista - o construtivismo é uma amálgama de teorias (Piaget, Gibson, Glasersfeld, Driscoll, Linn, Jong) - poderemos focar Jean Piaget como o seu grande impulsionador.
(...)

Para Piaget a acção do sujeito é peça fundamental da aprendizagem. Aprender a agir sobre o mundo e descobrir as consequências dessa acção está na base do próprio pensamento (…) As acções ocorrem num dado ambiente, assentam sobre objectos que constituem o mundo da experiência e são orientadas por objectos. O conhecimento emerge das acções e da reflexão do sujeito sobre elas (Lourenço, O. 2005). Daqui é sugerida uma autonomia do sujeito que aprende, sendo ele próprio o motor de desenvolvimento da sua aprendizagem (e não tanto partindo da interacção com os outros) sendo o foco educativo a transformação interna.

(...)
No que respeita à aplicação prática do construtivismo através de aplicações tecnológicas poderemos considerar o uso de Sistemas Tutores Inteligentes (STI) e tarefas que potenciem o desenvolvimento de competências de argumentação, resolução de problemas, pensamento crítico e aprendizagem auto-regulada; por outras palavras, tarefas que potenciem uma aprendizagem independente (o método clínico de entrevista levado a cabo por Piaget é bem exemplificativo deste tipo de abordagem).

Driscoll (Cit. in Johansson & Gärdenfors; 2005) identificou cinco condições da aprendizagem sob a perspectiva construtivista: 1) envolver a aprendizagem em ambientes complexos, realistas e relevantes; 2) estimular a negociação social como parte integrante da aprendizagem; 3) apoiar perspectivas múltiplas e o uso de múltiplos modos de representações; 4) encorajar a apropriação da aprendizagem, favorecendo a participação do estudante na construção do seu próprio conhecimento e 5) alimentar a auto-consciência do processo de construção da aprendizagem. Uma excelente aplicação prática destes princípios é a aplicação de PBL (Problem Based Learning). Nesta actividade, os estudantes deverão escolher um problema, trabalhar em grupo, tomar uma decisão através da revisão do material que têm disponível, apresentar e discutir diversas perspectivas e respectivas soluções para o problema e, por fim, construir e argumentar a sua própria decisão.

Ver Vídeo

As TIC como Mediadoras dos Processos de Ensino-Aprendizagem (Conclusão)

As actuais práticas educativas não são inspiradas numa única teoria de aprendizagem no que concerne ao uso de tecnologias de informação e comunicação. Se é verdade que alguns educadores e professores tentam fazer uso do melhor de várias teorias, também é verdade que outros profissionais da educação e fabricantes de software supostamente educativo, continuam a apostar em designs, teorias e métodos que teimam em menosprezar o papel das (pré)aprendizagens individuais, do contexto sócio-cultural no qual os educandos estão envolvidos e mesmo de uma relação pedagógica que se deseja saudável e motivante.

Johansson e Gärdenfors (2005) comparam o desenvolvimento e a implantação de uma teoria da aprendizagem que centre em si os melhores e mais recentes produtos das investigações da psicologia e das neurociências com o desenvolvimento da medicina: antes da medicina moderna ter sido desenvolvida, havia um largo campo de medicina tradicional – práticas para tratar doenças que eram baseadas numa mistura do conhecimento tradicional dos efeitos de várias plantas e tratamentos baseados em mitos e superstições, sem qualquer controlo científico.

Os autores concluem que o campo educacional tem sido praticado ao nível da medicina tradicional, afirmando que a pedagogia ainda não encontrou o seu Pasteur. Assim, a maioria das práticas educativas são ainda motivadas por uma combinação entre psicologia tradicional e uma referência de tradições que conduzem a inconsistências e a recomendações potencialmente perigosas.

(...)

quarta-feira, janeiro 10, 2007

EAT (Tarefa 2)

Em primeiro lugar seria útil definir os conceitos de “Aquisição” e de “Participação”.

Assim, entendo por “Aquisição” uma acção que visa somar algo ao que nós já possuímos, no caso, conhecimentos e competências que transformam a nossa acção e a nossa postura. Como dizia Einstein “A mente que se abre para uma nova ideia jamais voltará ao tamanho original”. A aquisição situa-se ao nível do saber/fazer; saber/ser.

“Participação”, é por sua vez a associação a uma determinado evento ou acção e não implica necessariamente uma aprendizagem efectiva… Admitindo que a simples participação não implica uma acção de aprendizagem, podemos situá-la ao nível do saber/saber. Por exemplo, posso saber todos os componentes de mecânica de um automóvel e ser uma péssima mecânica.

Tendo estas (minhas) definições como referência e tomando a liberdade de colocar alguns comentários que se relacionam com as minhas dúvidas de interpretação, classifico desta forma o nosso brainstorming:

Aquisição

Participação

Desenvolver conhecimentos (e aplicá-los)

Reduzir incerteza

Adquirir competências/habilidades

Adquirir um saber (saber/fazer)

Adquirir um saber (mas sei fazer??)

Adquirir um hábito (o saber/fazer torna-se num comportamento mecânico)

Tornar-se apto para…

Tornar-se capaz de…

Querer (a vontade só não basta, é preciso agir)

Conhecer (é preciso aplicar)

Interiorizar competências (comportamento mecânico)

Instruir-se (Âmbito do saber/saber. A instrução situa-se no campo do saber/saber)

Crescer (adquirindo novas competências)

Adquirir conhecimento (saber/saber)

Partilhar saberes (multiplicar competências pelos outros. Lembram-se da tal Zona de Desenvolvimento Potencial de Vygostky que o Gonçalo referiu um destes dias no módulo de ambientação? )

Partilhar saberes

Saber

Evoluir (no sentido de aquisição de competências)

Complementar conhecimentos

Mudar para sempre (Adquirindo novas competências, a minha acção sobre o meio jamais será a mesma)

Construir (passar da aprendizagem adquirida para a construção de novo conhecimento e aprendizagem. No fundo é o que se pretende com um mestrado…)

Apreender (mais do que aprender, é interiorizar: acção mecânica)

Processo de Assimilação (se implicar nova acção)

Processo de assimilação [de informação] (não basta)

Analisar (construção de novo conhecimento??)

Adaptar-se (adaptando a acção a uma nova realidade)

Por fim, não sei como classificar os verbos “aceitar” e “alcançar”…

Gostaria por fim de salientar que nunca li nada de Anne Sfard, pelo que a classificação em epígrafe não pode ser tomada como definitiva já que eu partir das minhas próprias interpretações e não das classificações da autora que certamente vamos aprofundar.

Ana Neves